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SÉRIE A

Presidente do Corinthians fala em “golpe” sobre votação de impeachment

Gazeta22 de novembro de 2024
Conselho do Corinthians agenda reunião para decidir sobre impeachment de Augusto Melo
Conselho do Corinthians agenda reunião para decidir sobre impeachment de Augusto Melo

O presidente Augusto Melo, do Corinthians, se manifestou de forma enfática contra a votação de seu impeachment no Conselho Deliberativo. O mandatário classificou a decisão de Romeu Tuma Júnior, que preside o órgão fiscalizador, como “golpe”, já que alega que não teve seu direito de defesa garantido.

 

Na visão de Augusto, o processo em andamento é um “desrespeito” ao clube.

 

“Essa situação é um desrespeito e um afronto à Instituição. Um presidente ser impeachmado sem a chance de defesa é a prova da falta de democracia, que nós corinthianos defendemos”, escreveu Augusto.

 

Augusto também defende que a decisão de marcar a votação do impeachment no próximo dia 28 (quinta-feira) vai conturbar a equipe na reta final do Campeonato Brasileiro, assim como o planejamento para a temporada de 2025.

 

O presidente do Timão alega que não há provas contra seu mandato. O dirigente relembra que a Comissão de Ética do Conselho recomendou que o processo em relação ao “caso VaideBet” fosse arquivado até a conclusão da apuração da Polícia Civil.

 

“Não admitirei que cassem o meu mandato sem que tenha sido garantido o meu direito de defesa. Tenho a certeza que a verdade prevalecerá e que todos aqueles que querem impedir a profissionalização do Corinthians serão derrotados”, comentou Augusto.

 

Veja a nota oficial de Augusto Melo, presidente do Corinthians:

“Recebi com indignação a convocação realizada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club Corinthians Paulista para votar o processo de impeachment contra mim.

É de conhecimento público que o entendimento da Comissão de Ética foi de que o processo deve ser suspenso até a conclusão da apuração dos fatos envolvendo o caso Vai de Bet na Polícia Civil.

Destaque-se ainda que o processo de impeachment conturba o ambiente em reta final do Campeonato Brasileiro e compromete completamente o planejamento para o ano de 2025, trazendo danos irreparáveis para a instituição Corinthians.

Não admitirei que cassem o meu mandato sem que tenha sido garantido o meu direito de defesa. Tenho a certeza que a verdade prevalecerá e que todos aqueles que querem impedir a profissionalização do Corinthians serão derrotados.

Essa situação é um desrespeito e um afronto à Instituição. Um presidente ser impeachmado sem a chance de defesa é a prova da falta de democracia, que nós corinthianos defendemos.

Ressalto aqui que a condenação sem provas é considerada golpe e todos aqueles que pensam em tomar o poder sem o voto direto dos associados serão cúmplices disso.

Augusto Melo”.

 

Votação de impeachment no Conselho do Corinthians

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, marcou a reunião de votação do impeachment de Augusto Melo. Os conselheiros do clube vão definir no próximo dia 28 (quinta-feira), no Parque São Jorge, se concordam ou não com a destituição do mandatário corintiano.

 

A primeira chamada da convocação será às 18 horas (de Brasília), enquanto a segunda será às 19 horas.

 

Caso a maioria simples no Conselho aprove o impeachment de Augusto, o presidente será afastado imediatamente do cargo. Osmar Stabile, primeiro vice-presidente do clube, assumiria a função de forma temporária. A votação no Conselho será secreta.

 

Além disso, se o Conselho der parecer positivo quanto ao impeachment de Augusto, Romeu terá de definir uma data para a Assembleia Geral, que é a última instância do processo de destituição, com a participação dos associados do clube. Segundo apuração da Gazeta Esportiva, a Assembleia só deve ocorrer em 2025, ainda sem data definida.

 

Nesse cenário, Augusto permaneceria afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem que ele deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído.

 

Se não aprovar o impeachment, o Conselho Deliberativo encerrará o assunto. Isso, no entanto, não exclui a possibilidade de um novo processo de afastamento no futuro.

 

Entenda os motivos para um impeachment no Corinthians

No último dia 12 de agosto, a Comissão de Justiça do Corinthians entregou um relatório para o Conselho Deliberativo a respeito de investigações sobre alguns temas que envolvem a gestão de Augusto, como as negociações com a VaideBet (ex-patrocinadora máster) e a Gazin (empresa de colchões que tem espaço no uniforme de treino).

 

Posteriormente, a Comissão de Ética ouviu Augusto e outras pessoas ligadas à gestão.

 

Além do presidente, a comissão investiga internamente: Armando Mendonça (segundo vice-presidente), Rozallah Santoro (ex-diretor financeiro), Yun Ki Lee (ex-diretor jurídico), Fernando Perino (ex-integrante do departamento jurídico), Marcelo Mariano (diretor administrativo) e Rubens Gomes (ex-diretor de futebol).

 

Augusto entregou sua defesa à Comissão de Ética no final de setembro. No dia 26 de agosto, de forma paralela à investigação, um grupo de conselheiros enviou ao Conselho um requerimento que solicita a destituição de Melo.

 

O “Movimento Reconstrução SCCP” obteve mais de 50 assinaturas, número mínimo para envio da solicitação ao presidente do CD.

 

O documento pede “tramitação sucinta” e se apega, principalmente, ao Artigo 106, “b” e “d”, do Estatuto do clube. Também a Lei 14.597/23, referente a nova Lei Geral do Esporte, que dispõe sobre crimes de “Lavagem” ou ocultação de bens.

 

Art. 106 – São motivos para requerer a destituição do Presidente e/ou dos Vices:

b) ter ele acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians.

d) ter ele infringido, por ação ou omissão, expressa norma estatutária.

 

Em 19 páginas o requerimento se apoia em fundamentos que objetivam apontar eventuais problemas e condutas temerárias da gestão após avaliação dos seguintes casos:

  • “Laranja” na intermediação da VaideBet.
  • Depoimento de Cassundé à Polícia, refutando ter feito intermediação.
  • Debandada de dirigentes, perda do patrocínio e prejuízo moral.
  • Depoimento de Armando Mendonça à Polícia, apontando omissão dos gestores.
  • Agressão de Augusto a um torcedor do Cruzeiro, em MG, com prejuízo a imagem da instituição.

 

No requerimento, conselheiros afirmam o Corinthians como “vítima de crimes cometidos pelos próprios dirigentes”. Ainda reforçam a intenção de se obter para o clube o devido:

“ressarcimento do prejuízo em razão do pagamento errôneo à malfadada empresa que nunca intermediou a confecção do contrato com a antiga patrocinadora”.

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