Mundial do Cruzeiro: ídolo aponta clima como vilão contra o Bayern em 1976

Campeão da Libertadores de 1976, o Cruzeiro garantiu o direito de disputar a Taça Intercontinental. O adversário pelo título mundial era o Bayern de Munique, que levou a melhor no confronto. Décadas após a decisão, o ex-atacante Joãozinho avalia que fatores externos foram determinantes para impedir a conquista inédita da equipe brasileira.
O primeiro embate ocorreu em Munique, sob rigoroso inverno. Os donos da casa venceram por 2 a 0, marcando nos minutos finais em um gramado coberto de gelo. O ex-ponta destaca o clima como obstáculo. “Jogamos contra eles lá na Alemanha, na neve, perdemos e não fizemos feio. Perdemos na reta final. Não éramos acostumados a jogar nessas condições. Eles eram acostumados a jogar com chuva, condições ruins. Eles deram sorte que choveu por dois dias direto”, relembrou. Ele acrescenta: “Lá nevou no dia do jogo. Se não neva, mesmo com a qualidade do time deles, poderíamos ter feito um jogo melhor. Éramos leves, muito rápidos e poderíamos ter vencido se fosse em condições normais.”
Diferença de postura no Brasil e a qualidade do rival
No jogo de volta, no Mineirão, mais de 113 mil torcedores apoiaram o time celeste. O empate sem gols garantiu a taça aos visitantes. Na visão do ex-atleta, o esquadrão mineiro atuou melhor na Europa, pois em Belo Horizonte os alemães adotaram postura defensiva. “Jogamos melhor lá do que aqui. Aqui eles seguraram. Lá segurávamos eles e saíamos nos contra-ataques com Jairzinho, Palhinha e eu”, explicou.
O representante sul-americano também lidou com um dos elencos mais fortes da história. A equipe bávara era a base da Alemanha campeã da Copa do Mundo de 1974. O nível técnico do oponente é reconhecido pelo ex-jogador. “Acho que time nenhum do Brasil trouxe um time daquela qualidade. Era a base da seleção da Alemanha, com Sepp Maier, Beckenbauer, Rummenigge… Era um time fantástico”, ressaltou Joãozinho sobre o grupo que contava com Gerd Müller.
O caminho continental até a disputa internacional
A vaga no torneio surgiu após campanha histórica na competição sul-americana. A equipe disputou treze partidas, somando onze vitórias e quarenta e seis gols. A consagração ocorreu no desempate da final contra o River Plate, no Chile, quando Joãozinho cobrou uma falta de surpresa nos instantes finais, garantindo o triunfo por 3 a 2. O desempenho consolidou o grupo da década de 1970 como um dos maiores da instituição.






