Diego Maradona passou últimos dias acamado e sem apetite, revela massagista em julgamento

O processo que investiga as circunstâncias do falecimento de Diego Maradona, em novembro de 2020, trouxe novos relatos sobre a saúde do ex-atleta. Durante audiência na quinta-feira, o massagista Nicolás Taffarel, que visitava o ídolo em sua residência em Tigre, detalhou a condição do ex-jogador nas semanas anteriores à sua partida. O astro se recuperava de uma cirurgia neurológica e recebia cuidados domiciliares.
No tribunal em San Isidro, Taffarel descreveu um cenário de apatia. O profissional relatou que o ex-campeão apresentava edemas e recusava cuidados. “Maradona não se levantava da cama, não queria comer, não queria tomar banho, não queria cuidar da higiene. Estava inchado, com as pernas inchadas…”, declarou. Ele mencionou ter cobrado maior presença médica. “Eu relatava situações que observava nele e não via uma ação concreta nem uma solução rápida”, disse.
Relatos finais e depoimento da enfermagem
A véspera da perda do ex-jogador foi marcada por resignação, segundo o massagista, que tentou incentivá-lo a levantar. “Ele me disse: ‘Não quero nada, Taffita, chega’. Perguntei: ‘Chega do quê?’. E ele respondeu: ‘Nada, chega’.” Na mesma sessão, o enfermeiro Ricardo Almirón, um dos réus, também foi ouvido. Ele confirmou que o paciente demonstrava falta de apetite e que, ao monitorar os sinais vitais, notava alterações.
Almirón detalhou os procedimentos na noite anterior ao desfecho. “Fiz o controle com o oxímetro, ele estava com 98%, e medi a frequência cardíaca, que apresentava uma leve taquicardia”, explicou. Antes de encerrar o turno às 6h30, fez uma checagem. “Antes, fui verificar discretamente, e ele descansava bem. Respirava de forma ritmada, com bons movimentos torácicos”, disse. O horário exato do falecimento segue em debate entre os peritos.
Andamento do processo judicial na Argentina
O julgamento envolve sete profissionais da saúde que respondem por possível negligência, sob a acusação de que tinham ciência dos riscos de suas ações ou omissões. Todos os envolvidos negam as acusações e se declaram inocentes. O cronograma prevê novas oitivas para a próxima terça-feira, incluindo o depoimento do médico Carlos Cassinelli, que participou da autópsia. A expectativa é que as audiências se prolonguem além do mês de agosto.






