Cruzeiro campeão da Libertadores de 1976: como o título histórico sobre o River Plate foi relatado

Em 1976, o Cruzeiro conquistava sua primeira Libertadores ao bater o River Plate por 3 a 2. Sem o critério de saldo de gols, houve um desempate no Chile. Nelinho, Eduardo e Joãozinho marcaram. O Estado de Minas relatou que, ao apito final, "uma explosão de alegria tomou conta da cidade: carros buzinando, foguetes estourando, gente saindo de casa para comemorar".
O título foi garantido por uma falta aos 43 minutos da etapa final. Enquanto Nelinho se preparava, Joãozinho chutou para o ângulo. A crônica descreveu: "Falta perigosa em cima de Palhinha, na meia-lua, e o gol sensacional de Joãozinho, recuperando-se de tudo de errado que havia feito durante a partida. Foi sensacional mesmo. Primeiro, a catimba para a falta ser batida. Barreira andando e Piazza reclamando. Quando Nelinho deu as costas para correr, Joãozinho, sem tomar distância, bateu de surpresa. Foi um chute espetacular. De pé direito, em curva… Golaço. O gol que valeu a taça da Libertadores".
Homenagem póstuma e emoção no gramado
Após o gol, o clima esquentou com invasão e expulsões. No fim, a festa virou devoção. Os atletas ajoelharam-se para dedicar a taça a Roberto Batata, que havia falecido em maio. O jornal destacou que "o maior título do Cruzeiro e de todo o futebol de Minas é uma homenagem póstuma de seus companheiros a Roberto Batata, o cara que mais alegrava a Toca da Raposa e um dia deixou todo mundo chorando".
A perda do atleta ocorreu em um acidente fatal durante uma viagem. Abalados, os colegas prometeram a taça. A publicação relembrou: "Piazza, Morais e Palinha o aconselharam a não ir. Disseram que não havia dormido à noite e que a viagem podia ser perigosa. Roberto Batata concordou, mas a saudade foi maior… Ele foi depressa demais, dentro de mais saudade. Queria chegar rápido e acabou não chegando… No fim da tarde seguinte, seus companheiros prometeram ganhar a Taça Libertadores".
Avaliações do elenco na decisão
Na análise individual, Raul foi o destaque, classificado como "o melhor de todos", pois "garantiu a vitória no primeiro tempo com três defesas espetaculares". Joãozinho teve sua redenção reconhecida: "ainda não perdeu a mania de tentar sempre mais um drible. Limpava a jogada e, mesmo tenho Palhinha e Ronaldo livres, tentava uma nova passagem. Aí perdia a bola. Mas ele compensou todos os erros no gol da vitória. Foi um gol de vingança. Ele teve a mesma malícia dos argentinos e pegou a defesa do River totalmente desprotegida".






